sábado, 5 de novembro de 2016

SIGNIFICADO E INTERPRETAÇÃO . (EJILASEBORA)

Ejilaseborá é o 12º Odu no jogo de búzios e o 3º na ordem de chegada do sistema de Ifá, onde é conhecido como Iwori Meji.
Responde com 12 búzios abertos.
Iwori Meji recebe na linguagem Fon, o nome de Woli Meji. Segundo uma etimologia Yoruba encontrada no Abomey, Wo-Li exprime a idéia de cortar (Wo) a cabeça (Li e Ori) - cortar a cabeça, decapitar.
Iwori Meji é considerado, como sendo o encarregado da função de decepar as cabeças. Num mundo que nos é inteiramente desconhecido.
Sua representação indicial em Ifá é:

Ejilaseborá é um Odu composto pelos Elementos Água sobre Ar, o que determina um encaminhamento dos esforços, ao encontro de obstáculos que, poderão ou não, ser transpostos, dependendo da quantidade de esforços despendidos neste sentido. Significa que duas forças conflitantes se confrontam e que o resultado desta disputa, tende sempre em favor do lado mais fortalecido.
Corresponde ao ponto cardeal Norte, do qual é o regente, sendo, com Ejiogbe (Leste), Odi (Sul) e Oyeku Meji (Oeste), um dos quatro Odu principais do sistema de Ifá.
Suas cores são irisadas, mutantes, imprecisas. E um Odu masculino, representado esotericamente pela silhueta de um animal selvagem, provavelmente de uma hiena (Sla), o que explica o fato de haver ensinado ao ser humano, o costume de comer carne.
Ejilaseborá representa Kãli (os animais selvagens que habitam as florestas, as bestas ferozes), principalmente o sla (hiena) e o kinikini (leão).
Expressa a idéia de contato, de troca, de relação entre dois seres ou duas coisas.
Refere-se a tudo o que diz respeito à união, casamento, contratos, pactos, acordos, compromissos, etc...
Esta figura exprime tudo o que entra em contato, não só por associação, como também por oposição. Desta forma, o confronto de dois homens, dois exércitos em luta, desde que ocorra um contato bem próximo, corpo-a-corpo, assim como um acoplamento sexual ou um par de dançarinos em ação, está sempre sob sua influência.
Pode significar ainda, o fim de uma estadia sobre a Terra, a morte do corpo físico, daí seu nome significa “cortar a cabeça”.
Simboliza ainda a ligação entre o céu e a terra e o caminho que une os dois planos e que deve existir material e espiritualmente, possibilitando a evolução espiritual do ser humano.
As pessoas nascidas sob os auspícios deste Odu apresentam características muito atraentes. Suas atitudes são pautadas na diplomacia, na habilidade e na polidez. Dotadas de profunda percepção, assimilam com muita facilidade os conhecimentos considerados de caráter subjetivo, o que fortalece suas estruturas espirituais.
Um comportamento instável provoca uma constante mudança de opinião, o que, por questões de segurança e para que não pareçam contraditórias, faz com que evitem tomar partido, ou posicionar-se diante de uma questão, permanecendo contentemente, “em cima do muro”.
São pessoas sensíveis, amáveis e cordiais, que adoram os relacionamentos superficiais e numerosos.
Da mesma forma, no amor, preferem a superficialidade e dificilmente assumem compromissos que durem por muito tempo, o que provoca uma constante troca de parceiros.
A inconstância é uma de suas características mais marcantes.
Possuem gosto muitíssimo apurado, mas entediam-se até com as melhores coisas da vida, bastando para isto, que se transformem em rotina.

SAUDAÇÕES DE EJILASEGBORÁ:
Em Fon: Mi kan Woli Meji
Zun gan do ta numio!
Tradução: Saudemos a Iwori Meji!
Que em nossos caminhos nunca surjam acidentes!.
Em Nagô: Ejilaseborá kimba insolá.
EJILASEBORÁ EM IRE:
Quando em Ire, Ejilaseborá pode indicar, principalmente: Vitória em todos os sentidos; situação de desespero que chega ao final, sendo superada com esforços; fortalecimento espiritual, inteligência, um relacionamento de amizade que se transformará em romance; vitória numa disputa, casamento ou união sentimental, contrato bem sucedido.

EJILASEBORÁ EM OSOGBO:
Em Osogbo, este Odu pode indicar: Uma troca ruim que traz maus resultados, morte (no sentido literal da palavra), um inimigo difícil de ser derrotada, derrota, associação prejudicial, compromissos que não podem ser satisfeitos, tendências ao suicídio, desespero.
Em Osogbo Arun, indica principalmente, as seguintes doenças: Distúrbios nervosos, paralisias locais ou gerais, falta de coordenação motora, epilepsia, loucura total, catalepsia.
Neste Odu falam as seguintes Divindades:
Vodun (Jeje): Gun, Age (pronuncia-se Aguê), Lisa, Tososu e Loko.
Orisá (Nagô): Sàngo.

INTERDIÇÕES DE EJILASEBORÁ:
Ejilaseborá proíbe aos seus filhos: Comer a carne de qualquer animal morto por decapitação, comer qualquer alimento feito com farinha de milho vermelho (polenta, angu, etc...), ingerir mel de abelhas ou qualquer alimento que o contenha, matar ou colecionar borboletas, assim como possuir objetos, quadros, jóias, etc. adornados com suas asas.

SENTENÇAS DE EJILASEBORÁ:
(1) Existem muitas riquezas no pais de Sla (*), mas você não deve ir lá. As bestas ferozes o devorarão.
(O consulente deverá desprezar uma chance que lhe surgir na vida, para não correr o risco de morrer).
(*) Hiena
(2) Se o Sla grita “yu yu!”, é porque vai se alimentar.
(As dificuldades pelas quais o cliente vem passando estão chegando ao final).
(3) Uma laranja pede para ser plantada, outra laranja pede para ser arrancada e comida.
(O consulente, que hoje está quase morto, ficará bom e amanhã já estará de pé).
(4) Se o país de Gbodo é bom, o Sla terá o que comer. É desta forma que Deus substitui por outra, alguma coisa que está faltando(nada faltará ao consulente)
(5) Quando a cerca da casa de òrìsá é arrancada, o sacerdote não deve fazer disto, motivo de zombaria.
(O advinho não deve desprezar o consulente que venha consultá-lo e que seja desprovido de recursos).
(6) Sla não pode ficar no local onde vive Dãgbe (*) e ali morrer de fome, Ifá, no entanto, jamais zomba de uma divindade: É sacrilégio ordenar que Sla devore a Serpente Sagrada.
(As oferendas devem ser feitas, mesmo que representem um sacrifício muito dispendioso).
(*) Pithon Real.

SIGNIFICADOS E INTERPRETAÇÃO DE OSA – MEJI.

Osa Meji é o 9º Odu no jogo de búzios e o 10º na ordem de chegada do sistema de Ifa onde é conhecido pelo mesmo nome.
Responde com 9 (nove) búzios abertos.
Em Ifa é conhecido entre os Fon (Jeje) como “Sa Meji”. Os Nagôs o chamam Osa Meji e também, de Oji Osa.
Para o nome, três etimologias são propostas: “Sa” (yoruba), escapamento no sentido de escorrer. “Sa” em yoruba significa ainda, ventilar, arejar, podendo ter o sentido de separar, selecionar, escolher. Dizem que anteriormente, os signos de Ifa não conheciam o ar da vida, foi este signo que os chamou e colocou a todos em contacto com o ar.
Em yoruba, as palavras “Asa Meji” significam principalmente, “duas coxas”, no sentido de representar os órgãos femininos que são “comandados” por Osa Meji.
Sua representação indicial em Ifa é:

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Osa Meji é um Odu composto pelos Elementos Água sobre Fogo, com predominância do primeiro, o que indica o dinamismo atuando no sentido de ajuda, de apoio.
Suas cores são o vermelho, o laranja e o vinho. É um Odu feminino, representado esotericamente por uma cabeça humana sobre a lua minguante, representação do poder feiticeiro feminino, numa referencia inequívoca a sua ligação as práticas da feitiçaria, nas quais as mulheres se destacam por sua dotação natural, inerente a sua condição de propiciar, transformando um espermatozóide microscópico num ser humano.
Osa Meji representa as Kennesi, potências da magia negra que utilizam a noite e o fogo, são espíritos malvados, ajogun que, hierarquicamente, encontram-se situados imediatamente abaixo dos órìsás.
Osa Meji é, portanto, um dos Odu mais perigosos, a ele é atribuída à criação de todos os animais ligados a feitiçaria, como o gato, alguns antílopes, a coruja, a andorinha, o pintarroxo, o verdelhão, a lavadeira, o engole-vento, o morcego, etc...
Osa Meji comanda o sangue, a abertura dos olhos e os intestinos. É ele quem dá cor ao sangue e comandam todos os órgãos internos do corpo, por extensão o coração e a circulação sanguínea.
Sendo o senhor do sangue, Osa Meji não distingue ricos de pobres, não conhece reis, chefes ou poderosos. Todos os homens, porque tem sangue, são propriedades suas.
Regem as orelhas, os olhos, a narina, os lábios, os braços, as pernas e os pés, da mesma forma que os órgãos genitais femininos. Pode ser encontrado no fluxo menstrual, no ventre das mulheres menstruadas, dai a extrema nocividade que lhe é atribuída.
Se uma mulher grávida encontrar este signo no decorrer de uma consulta, deve oferecer um sacrifico para que não venha a abortar. Um cabrito deve ser sacrificado as Kennesi pra apaziguá-las.
Devemos esclarecer, em relação ao fluxo menstrual que, embora pertencendo a Osa Meji, logo que se aparta do corpo da mulher, passa a pertencer a Irosun Meji e, quando derramado sobre o solo, passa a ser de Ofun Meji. A magia negra é muito mais eficaz quando praticada a noite e o fogo é também representado pelo sexo feminino.
Osa Meji rege a saudação dos demais signos sobre o opon ifá, é este signo quem invoca e traz os demais a presença do Babalawo durante as consultas ou em qualquer procedimento em que as figuras sejam riscadas sobre o tabuleiro, cabendo a Ika Meji a função de conduzi-los de volta logo que suas presenças não mais se façam necessárias.
Como se pode observar, Osa Meji possui poderes ilimitados, ele é aquele que pode fazer tudo e que efetivamente, tudo faz.
Este signo representa ainda, um tabu, uma interdição a ser observada, respeitada integralmente para evitar severas penas em caso de desobediência.
Embora seja um Odu de características terríveis, é muito positivo na medida em que quase sempre responde sim, o que não atenua sua periculosidade. Sempre que surgir uma consulta feita para uma mulher grávida pode estar anunciando aborto ou hemorragia incontrolável.
No corpo humano predispõe a enfermidades da medula espinhal, doenças do sangue e descontrole das regras menstruais. Pode indicar a presença, no organismo, de fluídos benéficos que atuam lenta e progressivamente numa construtiva ou regenerativa, em favor da matéria orgânica.
As pessoas naturais deste signo são em geral simpáticas, inteligentes, tímidas e engenhosas, possuem caráter sério, responsável e benevolente e seu maior defeito é a dificuldade que encontra diante da necessidade de tomarem uma iniciativa, ficando por muito tempo hesitante diante dos problemas.

SAUDAÇÕES DE OSA MEJI:
Em Fon: Mi kan Sa Meji
Se so awon Vodun se ami do afo
E kun non so o!
Tradução:
Reverências a Osa Meji. Todos os pássaros são aprisionados no alçapão, menos o pássaro de Iyami Aje, cujas penas são untadas de óleo.
Em Yoruba;
Osa osagbe igborigbo ogbo lodo
Osawo igbori egbo afoniku agbo
Osa agba ti oleja oleja oloban un mu.

OSA MEJI EM IRE:
Quando em Ire, Osa Meji pode indicar, principalmente: Elevação espiritual ou material, poderes mediúnicos ou parapsicológicos, vitória nos objetivos, progresso, idéias inteligentes.

OSA MEJI EM OSOGBO:
Em Osogbo, este Odu pode indicar: Feitiçaria, aborto, quebra de um tabu, trabalho feito. Em osogbo arun indica problemas da coluna, doenças do sangue, menstruação excessiva, hemorragias de todas as origens.
Neste odu falam as seguintes Divindades:
Orisa (Nago): Oya, Iyemonja, Osun. Egungun.

INTERDIÇÕES DE OSA MEJI:
Aos filhos deste Odu é proibido: a carne de antílope, de galo e todas as comidas que são oferecidas a Nanã. Os tecidos de fundo vermelho e/ou azul assim como todos os objetos em que essas cores se apresentem reunidas. O vinho de palma, o sorgo, o bejerekun, as folhas de iroko, o bambu e tudo o que for feito de bambu. A prática da feitiçaria, servir de árbitro ou mediador em questões entre duas pessoas, para não cair no desagrado de uma
delas, tornando-se seu inimigo.
Os homens deste Odu são proibidos de esperar os orgasmos de sua mulher.
As mulheres deste signo não devem praticar o coito durante o dia para não exporem seus órgãos sexuais aos homens.

SENTENÇAS DE OSA MEJI:
(1) Aquele que pretende capturar um cavalo, não se ponha a caminho sem levar sorgo.
(Quem pretende possuir algum bem em sua vida, deverá começar com alguns elementos: Sem dinheiro não se consegue dinheiro.)
(2) O vento não pode balançar a pedra como se fosse uma trança de cabelo.
(Se o consulente cometeu uma falta, poderá redimir-se sem sofrer a punição que seria imposta a qualquer outro na mesma situação).
(3) Rápido, devolva rápido o meu pássaro! Em qualquer lugar que este esteja o teu pássaro será devolvido.
(O consulente, que tudo perdeu, suplica que seus bens sejam devolvidos. Se for para seu bem Osa Meji devolverá tudo o que perdeu).
(4) O pombo, filho único, reaproximara a terra e o mar e voltará sozinho a sua casa.
(O pombo nascido só, sabendo-se que os pombos chocam dois ovos de cada vez – procura seu irmão por toda a terra, atingindo o mar sem nada encontrar. O cliente terá somente um filho se não oferecer os sacrifícios prescritos).
(5) A mulher vestida de vermelho será vítima de um acidente ao passar por uma estrada. Se tu não me deres o teu sangue, me darás a tua carne! Fa Aydegwi afirma: “Eu ficarei com este pano vermelho para salvar-te da morte e para conserva teu sangue e tua carne!”
(A mulher do consulente não deverá mais usar roupas ou panos vermelhos para que não morra num acidente. Um ebó deverá ser feito para afastar a morte: Uma galinha vermelha será sacrificada sobre um cabaça cheia de epô pupa, o sacerdote inscreverá o signo de Osa Meji sobre o yerosun que será derramado dentro da cabaça. Depois envolve tudo em pano vermelho e entrega numa estrada).
(6) Dormistes bem sobre a Terra? -Despertastes bem sobre a Terra? -Eu te saúdo Eji Osa.
Estes três advinhos consultaram Ifa para Osa Meji. Não existe árvore maior que o Iroko! Não existe mulher maior que Iyami!
(O cliente não precisa temer que seus rivais triunfem sobre sua pessoa).
(7) O passarinho que caiu na arapuca procurava a fortuna e encontrou seu Akãma (*). Os idiotas bem sucedidos sempre se esquecem das dificuldades dos dias ruins.
(O cliente ficará rico, mas esquecerá que o ajudaram nos tempos de pobreza).
(*) A casa dos dias ruins).
(8) Se Aydohwedo (*) o Terrível, se instala na margem do rio, nenhum animal poderá mais saciar a sede.
(O cliente deverá observar: se o seu signo é bom, ele não deve temer a influência de outros signos, Aydohwedo e Osa Meji, são igualmente poderosos.
(*) Uma das manifestações do Vodun Dan (Dan - Dangbe - Aydohwedo).
(9) A mesma saliva que prepara o visgo, é a que solta o passarinho capturado.
(Se alguém fizer mal ao cliente, verá o malefício voltar-se contra si próprio.) Para que isto aconteça deverá ser feito o seguinte ebó: recolher quarenta e uma taliscas (nervuras) de dendezeiro, em cada talisca fazer as bolinhas com saliva. Passar as bolinhas molhadas no yerosun onde tenha sido inscrito o signo de Osa Meji e depois colocar sobre o telhado de casa, isto serve de proteção contra qualquer malefício.

O Odù Ogbè’sá

As leis Sagradas de Olódùmarè nos deixa impregnado da noção de certo e errado desde o sopro divino (Emi), no nascimento.
Acreditamos que ao recebermos o sopro divino da vida, o Emi, Olòdùmarè nos dá a noção do certo e do errado, é comum vermos crianças fazendo traquinagens e olhando para trás e se certificando que não tem ninguém olhando para repreende-la. Isto é o embrião do caráter que está se formando é o embrião do certo e do errado.
Muitas pessoas tem esta noção mais latente que as demais, isto faz com que existam vários tipos de caráter e pessoas que chamamos de boas, boazinhas e benévolas. Não devemos rotular pessoas desta forma, afinal de contas não tem ladrão, ladrãozinho e ladrãozão, todos são ladrões, de R$ 1,00 a R$ 1.000.000,00 é tudo a mesma coisa, ou a pessoa é correta ou não é correta.
Neste verso de Ifá, transcrito por Ogbè’sá (Ògbè’ Òsá), vemos a traição como um dos piores atos que um ser humano pode cometer contra o outro.
Aos olhos de Olódùmarè, trair é um ato nefasto. Então não importa quem você vai trair, o que importa aos olhos de Deus é que você vai trair.
O Odù Ògúndá’Ìròsùn nos fala de Ògún, que fazia justiça dentro de um reino onde ele era o carrasco e sacrificava as pessoas que cometiam faltas consideradas graves pelo conselho do Obà (rei), um dia Ògún resolveu testar e saber se este código de conduta era realmente infalível. Ele matou o bode real (o bode do rei) e colocou a cabeça do bode ao lado da cama de seu irmão.
Quando foi dada a falta do bode e o encontro da cabeça do animal ao lado do irmão de Ògún foi um alarido.
Como sua família não era uma qualquer, todos ficaram apreensivos em punir alguém desta família, o rei mandou investigar e um dia disseram à Ògún que ele se preparasse pois a pessoa que havia cometido este ato covarde e incriminado seu irmão tinha sido capturada. O guarda que o trouxe disse que ele mesmo tinha sido testemunha do ato transgressor e este homem era o culpado.
Ògún então mandou que soltassem o acusado e matou o guarda, afinal de contas somente ele sabia quem realmente havia matado o bode do rei.
A mentira e a traição do guarda foram os motivos de sua punição.
No Ese Ifá abaixo (Lei Divina transcrito em forma de poema) poderemos constatar que as punições celestiais são severas, a morte apenas serve como referência para mostrar como é forte a indignação contra este tipo de comportamento.
Muitas vezes a razão para as coisas não darem certo em nossas vidas podem estar escondidas por detrás de atitudes cometidas no nosso passado ou no nosso cotidiano e não nos damos conta disso e não mudamos nossas atitudes.
Boa leitura.


Ogbè’sá diz:

Eram quatro amigos:
Osì o macaco, Tókon a planta rasteira, Àgbó o carneiro e Sàngó.
O país onde viviam ninguém conhecia a paz.
O Obà da cidade então resolveu ir consultar Ifá,
Apareceu Ogbè’sá e este mandou buscar Osì, matá-lo e enterrá-lo;
Ifá então disse que depois que o matasse o mundo teria paz.
Toda a população estava atrás de Osì.
O Obà disse então:
Eu como um Obà se não conseguir capturar Òsì eu farei um bom governo?
Então prometeu trazer 200.000 búzios e 200.000 unidades de qualquer coisa para quem trouxesse Osì.
Àgbó um dos quatro amigos ouviu o que o Obà disse para Ifá
E então resolveu enganar Osì,
Ele fez uma jaula e pediu para o Obà colocar dentro da jaula suas pulseiras e uns Obí, tudo isto com o objetivo de capturar Osì.
O Obà seguiu o conselho do amigo e deu as coisas para Àgbó concluir seus objetivos.
Ele foi até a casa de seu amigo e o chamou, Osì saiu e viu as pulseiras e os Obí então disse:
Coma amigo?
O que há de mal nisto?
O que é que você quer amigo?
Àgbó disse:
Isto é para você!
Pegue o que quiser desta jaula.
Osì viu os Obí e queria pegar, porém, teve que subir dentro da jaula porque esta era bem profunda então quando entrou, Àgbó fechou a mesma.
Ele então foi para a casa do Obà.
Então viu que seu amigo o estava traindo
E que ele estava indo direto para a morte,
Assim ele gritou por Sàngó.
Com esta oração de ajuda feita por Òsì, Sàngó mandou relâmpagos e chuva,
Com isto a jaula caiu e se abriu e então Osì se foi.
Àgbó que nada percebera continuou no caminho até o palácio do Obà.
No caminho este encontrou com os camponeses da região e disse:
Estou trazendo a paz e a riqueza para o mundo.
Um deles ajudou a colocar a jaula no chão e quando abriram encontraram somente as pulseiras do Obà e uns Obí.
O Obà disse:
Trouxe Osì?
Ele disse: Veja.
Então o Obà falou:
Como você fez isto!
Será você quem irá no lugar de Òsì!
Ao trair o amigo, Àgbó pagou com a vida.
Assim o sacrifício fora feito.

Osì cantou.
Sebele ku ee!
Àgbó ku Sebele!

Alegria, ele morreu!
O carneiro morreu, alegria!

Sagrado Odù Ogbè’sá.

O grande mote deste e muitos outros versos é que Olódùmarè não quer sair punindo a todos pelas suas faltas e erros, ele quer a mudança, ele quer a elevação espiritual (não confundir com desenvolvimento espiritual), ele quer que você mude de atitude se estiver agindo de forma errada, ele quer um mundo melhor, pessoas que possam conviver e tolerar umas as outras.
Você deve saber que todos estão em desenvolvimento e pagando por suas faltas, portanto o incentivo, o elogio e a mão amiga devem fazer parte do seu dia a dia.
A orientação para aqueles que vivem no erro também faz parte da nossa responsabilidade para com o ser humano e o seu desenvolvimento, Òrúnmìlá não gosta de ver as pessoas na ignorância, errando por ignorância, ele pede para aqueles que tem mais conhecimento possam dividir com quem não tem, somente assim haverá evolução.
Somente assim formaremos líderes de verdade.
Quem não sabe ler, não adquire cultura e conhecimento. Um sábio precisa de conhecimento, pois se assim não for, ele ficará limitado a seus sentimentos e não poderá aprofundar o ensinamento.
Ir e difundir, não devemos reter o conhecimento, afinal de contas, a maior parte das pessoas reclama do jogo de esconde-esconde que impera no mundo espiritual.
Eu nunca privei ninguém de copiar meus textos e gostaria que copiassem e difundissem cada vez mais os ensinamentos de Olódùmarè.

Ire l’onà aiku.
Caminhos de vida longa.

Uma pequena ilustração:
As pessoas regidas (nascidas) por este Odù tem como tabu entre tantas coisas, a falta de humildade.
Portanto vemos que nosso comportamento também é analisado na hora de recebermos nossas bênçãos.

SIGNIFICADO E INTERPRETAÇÃO OSE MEJI.


Ose Meji é o 5º Odu no jogo de búzios e o 15º na ordem de chegada do sistema de Ifá onde é conhecido pelo mesmo nome.
Responde com 5 (cinco) búzios abertos.
Em Ifá é conhecido entre os Fon (Jeje), como “Se Meji”. O Nagô o chama Ose Meji e também, de Oji Ose, para melhor eufonia. A palavra evoca, em Yoruba, a idéia de partir, quebrar, separar em dois. O nome é desagradável. Este Odu teria cometido incesto (16) com sua mãe Ofun Meji e foi por isto, separado dos outros signos.
Sua representação indicial em Ifa é:

É um Odu masculino, o odu tem realmente o poder de dobrar o objeto que deseja partir em dois.
Ose Meji comanda tudo que é quebradiço, quebrado, mal cheiroso, decomposto, putrefato. Todas as articulações e juntas provêm deste Odu e ele representa numerosas doenças, notadamente os abscessos; ele é a própria representação de Sakpata, a varíola e está intimamente ligado as Kenesi. Trata-se, portanto, de um Odu muitíssimo perigoso.
Da mesma forma que Ofun Meji, exige sempre em seus sacrifícios, dezesseis unidades de cada objeto ou animal a ser oferecido.
Foi Ose Meji quem ensinou aos homens o hábito de grelhar os alimentos. Criou as arvores, as presas dos elefantes e a galinha d’Angola.
Apesar de ser um signo de péssimos augúrios, é por vezes portador de riquezas e longevidade.
Seu nome não deve ser pronunciado jamais em conjunto com o de Irete Meji, dado a grande carga de negatividade de que ambos são portadores.
Prenuncia a diminuição das energias físicas o que predispõe o organismo, enfraquecido e sem defesas, e qualquer tipo de doença, principalmente aquelas que se situam na cavidade abdominal.
Fala muito de perdas de todos os tipos e em todos os setores da vida, através deste Odu, Osun costuma comunicar-se para avisar que o consulente é seu filho. Ao contrário do que muitos afirmam, as pessoas que possuem este Odu não tem cargo para cuidar dos Orisas de outras pessoas, devendo restringir-se a cuidarem somente de seus Orisas
Os filhos deste Odu são pessoas de comportamento instável, variando segundo a situação que se configura no momento. Costumam ser pródigos e dispersivos o que os leva a envolver-se constantemente em problemas relacionados a dinheiro. São engenhosos e possuem iniciativa própria, adaptam-se com muita facilidade as mais diversas situações.
Diplomatas e hábeis estão sempre prontos a colaborar com o próximo, mostrando neste aspecto, total desinteresse. É um Odu de prenúncios quase sempre negativos, anunciando maus tempos e dissolução.

OSE MEJI EM IRE:
Quando em Ire, Ose Meji pode indicar, principalmente: Recuperação de coisas perdidas; enriquecimento súbito; cura de uma doença; capacidade e engenhosidade; intuição que deve ser seguida; boa inspiração.

OSE MEJI EM IBI:
Em Oshogbo, este Odu pode indicar: perda de todos os tipos; desperdícios; evasão de energias físicas; falsidade; cirurgias e doenças (principalmente na barriga); morte ocasionada por doenças; traição e pranto.
Neste Odu falam as seguintes Divindades:
Orisa: Osun, Logunede, Oba e Egungun.

INTERDIÇÕES DE OSE MEJI:
Ose Meji proíbe aos seus filhos: Transportar feixes de lenha sobre a cabeça tocar em madeira apodrecida, usar roupas confeccionadas com tecidos de três cores ou mais, comer farinha de akasa torrada, inhame assado, galinha d’Angola, perdizes, galo, obi de mais de dois gomos (só é permitido o obi de dois gomos ou banja, que por sua dureza não
pode ser aberto com as mãos. Também devem ser observadas todas as interdições de Sonponon.

SIGNIFICADOS E INTERPRETAÇÃO DE ÒTURÁ – MEJI.

Alafia é o 15º Odu no jogo de búzios e o 13º na ordem de chegada do sistema de Ifá, onde é conhecido pelo nome de Otura Meji.
Responde com 16 búzios abertos.
Em Ifá, é conhecido entre os Fon (Jeje), como “Tula Meji”, “Otula Meji” ou “Otura Meji”.
Em Yoruba é denominado por vezes, “Otuwa”, que significa: “Té estas de volta”. É conhecido também, pelo nome de “Alafia”. O termo Yoruba mais comum é “Otura Meji”, que evoca a idéia de separar, desligar, apartar.
Otura Meji é o mestre das línguas, indica quando alguém tem duas palavras, aquele que cai sob este Odu costuma ser muito falador.
Sua representação em Ifá é:

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Alafia é um Odu composto pelos Elementos Ar sobre Fogo, com predominância do primeiro, o que indica a hesitação do ser, diante do domínio dos instintos. É a fêmea que, desejando se entregar finge resistir. É o devaneio, a vocação artística influenciada pelo sentimentalismo e pelo amor.
É um Odu muito bom, sempre pronto a beneficiar e que responde afirmativamente, embora prenunciado tempo variável. Alafia rege as raças humanas (exceto a raça negra), a palavra, as roupas longas, a cegueira, a mendicância, as disputas, o grande caramujo eje, os esquilos, a tartaruga terrestre (ajapá) e os animais inofensivos.
Fala das raças humanas diferentes da negra, principalmente dos muçulmanos.
Como mestre das línguas, indica quando alguém tem duas palavras e empresta o poder a eloqüência aos seus filhos. Tem o domínio da boca e, como Legba, diz coisas boas e más. Morfologicamente, representa dois braços abertos, uma vulva pronta a ser penetrada, uma possibilidade de conquista e de prazer, uma acolhida afetuosa e sincera.
Sua influência no corpo humano pode provocar inércia da vida celular ou disfunções fisiológicas, apatia dos órgãos e relaxamento patológico dos tecidos.
Suas cores são o azul, o branco e o dourado, gostando muito de tudo o que é estampado com estas três cores. É um Odu feminino, representado esotericamente por um busto humano, trajando uma blusa especial, chamada anteriormente de “nahwami” é conhecida atualmente como “Kansã”.
Esta blusa é usada no Abomei, somente pelos ministros do rei e seus soldados, não devem ser confundidas com o woduwu (fon) ou agbada (Yoruba), usado pelo rei, pelo grande Bokono do rei e por algumas poucas personalidades sacerdotais.
Antes de falar em Oturá alguns advinhos dizem: “Otwa, Otwa, Otwa a difa fun nun”.
(sentença que será explicada mais adiante).

SAUDAÇÕES DE OTURÁ
Em Fon: Mi kan Tula Meji,
Nunshe ma do azo lin e o!
Tradução: Nós saudamos Otura Meji,
Que as palavras de sua boca, jamais sejam para nos acusar!
Em Nago: Ejobe Baba
Mu dilonã!

OTURÁ EM IRE:
Quando em Ire, Alafia pode indicar, principalmente: Vocação artística, sinceridade no amor, amor correspondido, sabedoria, conquista de alguma coisa, prazeres, acolhimento afetuoso, sinceridade.

ALAFIA EM OSOGBO:
Em Osogbo, este Odu pode indicar: Domínio dos instintos (as necessidades físicas sobrepujando a razão e induzindo ao erro); falta de determinação para dizer não; pessoa de caráter dúbio, de duas caras, sem palavra.
Neste Odu falam as seguintes Divindades:
Orisá (Nagô): Òba, Yewá, Osunmarè, Yemonjá, Ògún, Obaluwaiyè.

INTERDIÇÕES DE OTURA:
Alafia proíbe aos seus filhos: Possuir um cão ou tê-lo próximo de si, comer galo, milho assado, inhame pilado, carne de porco e carne de tartaruga. Portar facas ou armas brancas, vestir agbada, fazer uso de tabaco e ser indiscreto.
Recomenda-se a seus filhos, dar esmolas generosas e, quando possível, ter perto de si, um destes pequenos altares que os muçulmanos utilizam para fazerem suas preces.

SENTENÇAS DE OTURÁ:
(1) Tuwa, Tuwa, Tuwa! Este é o Odu que consulta Ifá para a boca.
(2) Otura Meji! Um muçulmano não pode reverenciar a ninguém.
(3) Nós vimos duzentos muçulmanos e seus sapatos eram uns números de quatrocentos. Nós vimos quatrocentos e cinqüenta búfalos, e seus chifres eram em número de novecentos e sessenta. A Serpente não pode penetrar no seio da floresta onde se encontra Dã Ayidohwedo.
(4) O mesmo bico que come o milho, serve para construir o ninho, não devendo ser usado pra destruí-lo.
(O consulente melhorará de vida, mas suas palavras poderão destruí-lo).
(5) O boi não pode alcançar a Lua e fazer-lhe qualquer mal.
(O inimigo não pode fazer nada contra o consulente, por isto, deve ser deixado para lá).
(6) A folha Adã-mi-na-kpe, veio ao mundo e Se (Mawu), colocou espinhos em suas bordas. A morte que levará o rei de Agwa encontra-se na floresta de Agwa.
(O consulente procura confusão com os outros e a resposta virá de sua própria boca. Suas palavras impensadas provocarão sua própria morte).
(7) Otura Meji, diz: Deus é muito grande!
(O consulente não deverá se escusar de dar esmolas consideráveis).
(8) Gove, a pequena faladeira, provocará, com sua maldade, uma guerra que destruirá o país.
(O consulente encontra-se ameaçado pela maledicência de alguém muito falador).
(9) O índigo existe para tingir o tecido.
(O consulente jamais conhecerá a miséria total).

SIGNIFICADOS E INTERPRETAÇÃO DE IRETÉ – MEJI .


Obeogunda é o 16º Odu no jogo de búzios e o 14º na ordem de chegada do sistema de Ifá, onde é conhecido como Irete Meji.
Responde com 15 (quinze) búzios abertos.
Em Ifá, é conhecido entre os Fon (Jeje), como “Lete Meji”, suprimido o sufixo da palavra Yoruba “Irete”. Chamam-se ainda, segundo algum Nagô, “Oji Lete” ou “Oli Ate”, significando o kpoli da Terra. Em Yoruba Ire Te = “a Terra consultou o Fazun”.
Sua representação indicial em Ifá é:
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Obeogunda é um Odu composto pelos Elementos Fogo sobre Água, com predominância do primeiro, o que indica que o dinamismo inicialmente existente, tende a transformar-se em auxilio poderoso, mas que o beneficio auferido será sempre em favor de outrem. É o macho que luta e se sacrifica em beneficio da fêmea. A atividade é impulsiva e independe da vontade do agente. É o sem juízo.
Suas cores são o vermelho vivo, o negro, o cinzento, o azul e o branco.
É um Odu masculino, representado esotericamente por um quadrado dentro de um círculo. O circulo representa o ignoto, o céu. O quadrado representa o domínio do que conhecemos o mundo material, a Terra.
“O círculo, representação de tudo o que desconhecemos, chama-se “Weké”; Weke- Non”, mestre do oculto é um dos nomes honoríficos de Lisa e de Dàgbada Hwedo. Gbe designa tudo o que é perceptível aos nossos sentidos, a vida, da forma que a percebemos.
“Gbé-To”, Pai da vida - Aquele que Comanda - Pai da Criação visível.
Irete, no entanto é visível através da figura em forma de circulo, e para melhor enquadramento do retângulo, ao qual devemos, na verdade, dirigir nossa atenção. É este quadrado que na verdade, pertence à Irete. Se tivermos que “colorir” esta figura, representaríamos o céu (circulo), em branco - cor de Lisa, ou em azul - cor do céu conforme vemos e a terra (quadrado), em vermelho - cor do Vodun Sakpata.
Aquele que encontrar Irete deve oferecer quarenta búzios, uma galinha e uma garrafa de aguardente à Igbaadú. A Galinha é solta no quintal do Babalawo, devendo ser enterrada, quando morrer naturalmente.
Irete é o signo da Terra (Ile Yoruba), Aykungbã (Fon) é de domínio terrestre, desta forma, tudo o que está morto lhe pertence, mas a morte é propriedade de Oyeku Meji.
Este signo traz os abscessos, os furúnculos, a varíola, uma febre eruptiva e mortal conhecida como “Nutite” e a lepra {Adete (Yoruba), Gudu ( Fon)}. Os Fon, jamais se referem à lepra por este nome, preferindo chamá-la de Azon-Vo, o mal vermelho. Considerada por eles como doença mais hereditária que contagiosa, tem como principais contra-indicações alimentares; camarão, carne de antílope, carne de porco, pimenta, mamão, vinho de palma, azeite de dendê, feijão e galinha.
Este signo não deve jamais ser invocado em companhia de Ose Meji. “Bokonõ ma do o” (Um advinho não pode dizer isto), em referência ao nome do òmò odu gerado no encontro destes dois Odu.
Influência o corpo humano, provocando atividade excessiva das funções, irritações e enfermidades inflamatórias.
É uma figura muito negativa, que respondendo quase sempre não, anuncia tempos muito ruins. Crises agudas, traumatismos, referimentos por acidentes, hematomas e pancadas também são causados por sua atuação.
Seus filhos são sempre impulsionados pelo desejo de conquista e de domínio, não hesitando em para isto, assumirem atitudes ameaçadoras, que visam manter controle permanente sobre a situação. São pessoas corajosas, audazes e presunçosas, mas muito solícitas e prontas a socorrer tantos quantos necessitem de seus préstimos.
Possuem caráter altivo, sarcástico e indisciplinado. São amantes do trabalho e batalhadores entusiastas.

SAUDAÇÕES DE IRETÉ;
Em Fon: Mi Kan Lete Meji,
Emi ku na ku ku vaun O!
Tradução: Eu saúdo Irete Meji,
Para que a morte não nos carregue subitamente!

IRETÉ EM IRE:
Quando em Ire, Obeogunda pode indicar, principalmente: Amor correspondido, domínio absoluto de uma situação, influência, respeito, auxílio poderoso, dinamismo.

IRETÉ EM OSOGBO;
Em Osogbo este Odu, pode indicar: Falta de juízo, atitudes egoístas, indisciplina, uma aventura que terá um fim desastroso, violência, cólera incontrolável, violência sexual, estupro.
Em Osogbo Arun: Impotência sexual atrofia muscular, inflamações intestinais, febre eruptivas, lepra, varíola, hepatite, lesbianismo.
Neste Odu falam as seguintes Divindades: Òrúnmìlá.

INTERDIÇÕES DE IRETÉ:
Este Odu proíbe a seus filhos: O adisin, usado para preparar o índigo: feijão descascado, pilado e temperado com azeite de dendê; feijão de casca vermelha e suas folhas (ajagbe); galinha d’Angola (etu), farinha de akasa; certo molho denominado “hlohlo”, preparado a base de mais, o pássaro “awajixe”; banana da terra (kokwe alogli); (todas estas interdições de Sakpata).
Todo animal encontrado já morto (lãkuku); as espécies de antílope, açoãli e zungbo (que tem o pelo avermelhado); o leopardo; o Aklasu; a farinha gbenlen, feita de milho ou de sorgo; a farinha de inhame (agu); os ramos honsu kokwe, a serpente amanonnu, o cão, as coisas que são oferecidas a Dã (Dãnu) e a Nã (Nãnu); os frutos brancos da arvore gbegba, os frutos do ahwa e os macacos.

SENTENÇAS DE IRETÉ:
(1) Se um Bokonõ sabe fazer corretamente seus sacrifícios, de onde procura conseguir qualquer coisa. O sol não castiga aquele que procura sombra.
(Os inimigos não poderão tomar nada do consulente, que desta forma, preservará tudo o que lhe pertence).
(2) o martelo corajoso crava a bigorna na terra.
(Se for corajoso e cumprir com suas obrigações e sacrifícios, o consulente derrotará todos os seus inimigos).
Obs.: Esta sentença é também utilizada em Ogundá Meji.
(3) O dinheiro pertence ao acaso, os panos pertencem ao acaso, os filhos pertencem ao acaso, as mulheres pertencem ao acaso. Aquele contra quem nada se pode (a Terra), pode insultar os órgãos genitais da mãe da morte e continuar vivendo.
(O consulente está a salvo)
Obs.: Este signo é dispensador de muita coragem. Todos os que nascem, sob ele, desconhecem o medo, seja do que for. Chegam mesmo a zombar da própria morte, insultam-na e ela nada pode contra eles.
(4) Aquele que tendo feito, também deve bater cabeça para a Terra, a Terra vê tudo o que cai sobre ela.
(O consulente saberá de tudo o que se passa, de bom e de ruim, ao seu redor).
(5) Alguém perguntou: “O que faz a Terra para não morrer?” E ela respondeu: “Eu abriguei Ifá e encontrei Irete meji”.
(O consulente não tem motivos para se preocupar com a morte).
(6) Alguém lançou uma flecha na floresta de Ake e mesmo assim, a floresta manteve a calma.
“Meu filho (é Irete Meji falando a Dezun), se é verdade que eu te enviei ao mundo, tua vida será boa”.
(O consulente será sempre muito bem protegido).
(7) A superfície do óleo de palma em repouso é sempre muito clara, mas no fundo, existe muita coisa escura depositada. A terra não apresenta nada de anormal em sua superfície, mas se cavarmos encontrará cadáveres, esqueletos, excrementos e fósseis.
(Um perigo inexplicável ameaça o consulente).
(8) Ifá diz: “Estou sempre presente quando a desgraça chega e quando vai embora”.
(Alusão ao interior da terra, que recolhe todos os dejetos e todos os cadáveres).
(O consulente encontra-se sob ameaça. Ele não é mais forte que a Terra).
(9) A árvore Gbegbe está todos os dias lá nas margens do rio Wewe. Todo aquele que explora a Terra (Gbe - a vida), acabará encontrando o mar. Irete Meji se estende por toda a parte, até mesmo pelo mar e assim mesmo não morre.
(O consulente deverá oferecer sacrifícios, para que viva por muito e muito tempo).
(10) Eu tenho um pé dentro do barro, cheio de nozes de palma e outro de dentro do barro, cheio de frutos variados.
(O consulente está deste lado da vida, mas a morte, do outro lado o ameaça).



OPIRA

16 BUZIOS FECHADOS.

Aqui, não se trata de um Odú, senão de uma caída em que todos os búzios aparecem fechados. Não existe mensagem nem interpretação. É um prenúncio de acontecimento nefasto inevitável e irremediável.
Qualquer tipo de Ibi pode estar sendo preconizado e não existe ebó para modificar o mau pressagio. Quando cair Opira, pode ser um Egun anunciando a morte de alguém. A determinação é de que o jogo deve ser fechado, o que deixa o adivinho sem qualquer recurso oracular.
Algumas providências devem ser tomadas para afastar ou aliviar o Ibi que se prenuncia.

Sasányìn – O culto as folhas sagradas.

Em uma casa de candomblé, um dos elementos principais e que requer grande sabedoria são as folhas. Sem esse entendimento não haverá a presença do Orixá, o velho provérbio das casas: Kó sí ewé, kó sí Orixá! Sem folha não há Orixá.

Ter os conhecimentos das folhas que vão participar dos banhos purificatórios, combiná-las com suas propriedades específicas adequadas a cada Orixá, a cada Orí, na confecção do adòsú, na preparação da ení do futuro ìyàwó como forma de proteção e fortalecimento, no àgbo do banho do ìyàwó para purificá-lo, como também como bebida e remédio e o próprio transe na incorporação da energia, estabecendo equilíbrio e inconciência. A quantidade de folhas no àgbo varia de casa para casa podendo ser quatro folhas ou múltiplos de quatro e combinando a essência,(quente/fria, macho/femea) equilíbrio.

O Olosányìn é o responsável pelas ervas, folhas e vegetais em geral, este cargo está diretamente ligado aos zeladores da casa, dada a sua importância e responsabilidade, caso não existe um Olosáyìn ou Babalosáyìn, o próprio Babalorixá ou Iyalorixá cumprirá essa função, não podendo delegar a outro filho.

As folhas quando chegam na casa devem primeiramente descansar por algum tempo, depois devem ser bem lavadas por quem irá macerá-las, são colocadas sobre a ení para que o Babalorixá ou Iyalorixá possa rezá-las com cântigos das folhas ou de cada fôlha especificamente de frente para os Ìyàwós que se encontram Kúnlè. O Bàbá ou Ìyá abrirá um Obí, confirmará as folhas escolhidas, mastigará o obí espargindo-os sobre as folhas com seu hálito, seu axé, suas palavras mágicas, para logo depois soltar as folhas para macerar, separando os galhos, caules e folhas feias para o lado, em silêncio, com uma vela ou fifó aceso à frente, sem pressa e rápido, o banho do aríàse do Ìyàwó. Vale ressaltar que após a masseração, o banho descansa um pouco e o que sobrou do banho, já cuado, irá para o ojúbo de Òsanyìn da casa, para depois ser despachado nas águas do rio ou mato.

Todas as obrigações, além da iniciação, em que tiver sacrifício de animais de quatro pés, serão sempre precedidos dessa liturgia sagrada sendo um orô obrigatório, sempre com louvação a Pai Òsányìn, no qual chamamos comumente de Sasányìn ou seja Asá Òsányìn, que são feitos no primeiro dia após iniciação, no terceiro e sétimo dia. Há também o ebó de carrego de toda a obrigação que o próprio Ìyàwó participa que é entregue a Èsù Òdàrà em seu ilé, para que de tudo certo e proporcione tranquilidade aos rituais secretos internos do àse.

“Korin Ewé”, isto é, cantar Folhas em louvar a Òsányìn, aos animais que participaram da obrigação, aos Bàbás, Ìyás, ancestrais, aos ègbóns, sua raiz e àse, Ogans e Ekedis, aos Orixás e ojubós da casa, a Òrúnmìlà e por fim a Òsàlá. Finaliza-se o culto com os cântigos das três águas, o omièrò de àse, reverenciando o Màrìwò e Òsányìn.

“Biribiri bí ti màrìwò
jé òsányìn wálé màrìwò
Biribiri bí tí màrìwò
Bá wa t’órò wa se màrìwò”.

Algumas casas tradicionais tem um esquema fixo de folhas combinadas para banhos de àgbo pra casa, para obrigação, para o àse, para o osé, etc.

Um dado litúrgico importantíssimo é que as folhas acompanham os assentamentos de todo e qualquer Orixá quando estes vão comer, acomodando o assentamento, como também o ìgbá Orí quando o Orí vai comer. As folhas combinam de uma forma mágica misturadas e essencialmente equilibradas e de acordo com cada Orixá e sempre frescas.

Obs: Não se toma banhos de àgbo velho que pode estar passado ou estragado, pois as ervas perdem sua função litúrgica.

Pai Òsányìn gosta de um fumo de rôlo no cachimbinho de barro, se disfarça num lagarto, num galho seco que Eyé pousa, pula numa perna só, gosta de vinho de palma, fradinho torrado com mel, frutas, alquimista, solitário e um grande Pai que está presente dentro do àse das casas ketu/Nagô.

Sãos as folhas secas que nos fornecem um bom defumador para inúmeras finalidades, são com folhas que fazemos vários tipos de ebós de sacudimento de egun, e quantas dietas fazemos com folhas? vários comidas de Orixás.

São 21 os korín ewé entoados e a primeira Ewé é o Pèrègún, a folha ancestralizada: asà o, erù ejé.

“Pèrègún àlà wa titun o
Pérègún àlà titun
Bàbá pèrègún àlà o merin
Pèrègún àlà wa titun”

Só Òsányìn conhece os segredos das folhas, só ele sabe os ofós que despertam seu poder e força, conectar com essa magia é o grande Awo, o ejé verde é fundamental em toda liturgia.

Òsányìn Elesekan, Irúmalé àgbénigi, Òsányìn Onísegùn Ewé ó Asà!

Ewé Òrìsà!

SACRIFÍCIO RITUAL

Em muitos contextos tradicionais, somos ensinados que os sacrifícios de animais ou de alimentos são a única maneira de enviar o orixá a tarefa. Isto é verdadeiro e não é verdade. Mas o que é sacrifício? Sacrifício significa fazer algo sagrado. Isso não significa, necessariamente, para matar alguma coisa. Sacrifício é o ato de oferecer o mundano com o divino ou o invisível. Tanto quanto nós queremos ter experiências espirituais, espíritos querem ter experiências materiais. Sacrifício permite, assim, para uma travessia ou uma mescla dos dois mundos, o espiritual eo mundo físico. Para ser mais claro, um sacrifício não sempre na base de sangue. Normalmente, quando ouvimos falar de sacrificar ficamos tão envolvidos com o desempenho de sangue nos esquecemos de prestar atenção ao que estamos sacrificando.
Mas é importante saber por que e quando sacrificar um porco e não uma tartaruga ou frango, ou cabra, flores, etc A resposta está nas características do que está sendo sacrificado. Os animais e as suas características são simbólicos para as características de seres humanos bem. Quando você olha para os símbolos dizem que a antiga escrita egípcia, a maioria destes são reflexos fantasmas do que está dentro de você. A chave para entender isso é, quando se olha para essas coisas, para entender a simbologia e utilizar sua natureza divina para controlar e dirigir a natureza humanística e animal. Na verdade, os humanistas e animal naturezas são uma ea mesma coisa.
Um pássaro de exemplos é um animal que vive entre dois mundos, eles vivem nos céus e eles vivem na terra, eles também têm a capacidade de ver as coisas de uma perspectiva mais elevada. Eles também nos fazem lembrar de fazer uso de nossa imaginação viajar para reinos que nem sempre são acessíveis aos seres humanos. Algo pedindo o sacrifício de um pássaro pode exigir que você estude essa energia, talvez você está gastando muito tempo com a cabeça na nuvem ou não olhando para o quadro mais amplo o suficiente. Sacrificar um cachorro pode significar que você precisa se acalmar ou estão buscando lealdade.