quinta-feira, 17 de setembro de 2015

OYEKUBEFUN

REZA DE OYEKUFUN

Oyekúbedurá mafun agbá barabá, mafun agba Ofun mayekun fun Iyansã, lelé foguere
belele malere, Oyeku fun mafunyeké belere Ori Oxun Oriyeyeo, molala lala jeri
Iyalode Oriyeyeo, lele Oxun bebere Okanran ielegue yelele, Oyekufun yeyebi Oiya
Oma jire Awa Babadawa. Awo Oba Eri Ifá kaferefun Lewri Ifá. Kaferefun Elegbara.
Aqui nasceu Exú Larufá, filho de Ile e de Ikú.
Nasceu a transfiguração da Terra e de Elegbara.
Foi por este caminho que, com a ajuda de Oiyá, Exú Larufá se fez grande sobre a
Terra.
Foi aqui que Xangô transmitiu o poder do reino a Orunmilá.
É por este caminho que Ibeji traz sorte, dinheiro e saúde.
É o signo das lagoas, por isto, tem-se que oferecer sacrifícios aos espíritos das
lagoas.
Foi neste caminho que Oxun adquiriu escravos.
Para conseguir mulheres, oferece-se um preá dentro de uma cabaça a Elegbara.
No mesmo dia em que se encontra este signo oferece-se cinco akarás a Orunmilá,
com pó de peixe, de ekú e cinco moedas. Despacha-se, no mesmo dia, no cemitério.
O Awo, depois disto, limpa-se com bofe de boi, amarra o bofe com uma fita preta e
pendura no galho de uma árvore qualquer.
Não se come carne de carneiro.
Assinala morte repentina.
Não se deve cruzar bosques para não adquirir negatividades.
Se for mulher, deve usar ao dormir, um idé com contas de Oiyá, como proteção
contra Ikú durante o sono.
O homem de sua vida tem que ser Babalawo.
Deve vestir-se de branco e assentar Orunmilá.
Tem que ter cuidado para não levar um flagrante de seu marido.

IWORI MEJI

REZA DE IWORI MEJI

Iwori Meji iguí iguí, miyo miyo, adifafun Kolokó iyebefá tiroke Iyá lampé Xangô, Aroní
yeó Eleripin Orunmilá lorugbó.
Este é um Odu masculino, filho de Tehitana e Houlogodo.
Este Odu determina que se resguarde a cabeça de sua ação de Anjo Exterminador.
O termo Iwori significa "cortar a cabeça1
" o que, pela influência deste Odu, é
determinado num plano de existência incompreensível e inacessível para nós.
Aqui nasceu a decapitação, os animais ferozes, as bestas ferozes que habitam as
florestas, principalmente a hiena que serve como seu símbolo esotérico.
Trouxe ao mundo o costume de comer carne.
Está ligado ao ponto cardeal Sul e, por isto, é um dos quatro principais Odus de Ifá.
Foi a este Odu que Olofin confiou o cutelo do carrasco.
Sua cor é o marrom-avermelhado e é através dele que se faz o mal às mulheres
usando, para este fim, panos sujos de seu sangue menstrual colocados dentro de uma cabaça
junto com pó de peixe e de preá e um peixe de água doce. Ao redor da cabaça, do lado de fora,
coloca-se cinco penas de ekodidé2
.
1 - Iwo = cortar; ori = cabeça.,
2 - Pena vermelha de uma espécie de papagaio africano (odidé)
Prenuncia a morte de uma criança.
Fala de chantagem, roubo, instabilidade no matrimônio, mulher inescrupulosa que
usa de todos os meios, por mais imorais que sejam, para conquistar o homem desejado.
Provoca psicose, esquizofrenia e perda de memória.
Para remediar a perda de memória deve-se colocar um sininho em baixo do
travesseiro e tocá-lo à meia noite em ponto para invocar a proteção dos 16 Odus principais3
.
Fala da destruição dos filhos de Orunmilá por quererem saber mais que seu pai que,
por mais que fizesse, não conseguiu salvá-los da condenação imposta por Olofin.
Aqui nasceu a gonorréia e os malefícios que proporciona aos seres humanos. Isto foi
um castigo porque algumas mulheres praticavam sexo com os cães.
Surgiram as sobrancelhas, os cílios e o costume de piscar os olhos para mante-los
sempre molhados.
Nasceram os sissíos e os zumbidos emitidos pela terra para manifestar seu
desagrado e lembrar aos homens que, a matéria com que são confeccionados os seus corpos,
pertence à ela.
O Awo que tenha um afilhado deste signo deve evitar dar-lhe muito poder, pois são
pessoas muito perigosas e, dentro de cada uma delas, existe uma verdadeira fera adormecida.
Os filhos deste Odu ocultam muitas verdades dentro de si mesmos.
Não devem receber visitas de estranhos depois das dezoito horas.
Este signo desperta a pessoa para que descubra grandes coisas a partir de detalhes
insignificantes.
Disse Ifá: "Trançando linhas se faz uma corda".
O patuá deste Odu leva terra de remoinho e areia do local onde o rio desemboca no
mar.
Aqui nasceu o direito de não querer-se jogar depois das dezoito horas.
Proíbe, a seus filhos, comerem galo e amalá.
3 - Os Odus principais são os dezesseis meji, também chamados "Oju Odu". São eles, segundo a
ordem de chegada: Ejiogbe; Oyeku Meji; Iwori Meji; Odi Meji; Irosun Meji; Owónrin Meji; Obara
Meji; Okanran Meji; Ogunda Meji; Osá Meji; Iká Meji; Oturukpon Meji; Otura ou Otuwá Meji; Irete
Meji; Oxe Meji e Ofun Meji.

REZA DE IWORIBOGBE

Iworibogbe Ifá mayewé, Ifá Afefé ti ikí ití ewe anakun Orun Bebeni. Ifá Adiyoko
Onibarabaniregun ará buxe, Awo Mayewe, Awo Adiyoko ori Ifá oni Xangô, oniwó
Olokun onini Ifá.
Este Odu resulta da interação de Iwori com Ogbe.
Nele se encontram três dos quatro elementos naturais: Água, Ar e Fogo.
Seus filhos costumam ser avaros e têm vocação para a prática da vigarice.
Suas vidas são marcadas por tormentos e crises.
Aqui nasceram as injúrias e as afrontas.
Provoca atrasos na prosperidade em todos os aspectos.
Assinala débitos com Xangô.
Fala de enfermidades produzidas por descontrole nervoso, asma, esquizofrenia,
úlceras gástricas, úlceras duodenais e ataques transitórios de insanidade mental.
A pessoa costuma fazer uso de sedativos e tranqüilizantes.
A origem de todos estes males está no descontrole do grande simpático.
Fala de doenças da cabeça, para as quais, tem-se que fazer ebó, pois existe perigo
de vida.
Aqui nasceram os gêmeos e as formigas.
Nasceram também, as tempestades marinhas ocasionadas por tornados e as
grandes transformações de Olokun que se refletem nas mudanças de comportamento das águas
oceânicas.
É um Odu de prostitutas. A mulher conhece muitos homens e tem pelo menos três
maridos.
Neste signo o pai abandona os filhos.
Fala o pombo viajante que deixa o pombal vazio
O Awo deste Odu não deve trabalhar com Ifá quando ocorrerem tempestades.
Nestes casos, deve marcar seu signo no chão, ajoelhar-se e, colocando a cabeça sobre o signo
traçado, fazer a sua reza.
Os Awo de Iworibogbe vivem sós e morrem sós. Quando chega a hora de sua morte
todos os familiares encontram-se distantes.
Têm que ser obedientes e não podem ingerir bebidas alcoólicas.
A pessoa, para quem saia este Odu, tem que colocar um idefá4
confeccionada com
contas verdes e amarelas, alternadas de uma a uma, o mais rápido possível.

IWORIYEKU

Iworiyeku inkan Ikú ombelare oun yelein intori ikan to walore alá toguman alá bururu
oun batonxé gbe inkan to gire lori ko mawá yote lowo loma ni mi obori.
É filho de Iwori e Oyeku.
Neste Odu falam Orunmilá, Oxun e Yemanjá.
Tem que receber Orunmilá e cultuar todos os Orixás.
Para obter-se a proteção de Xangô deve-se dar-lhe uma oferenda de vinho tinto, mel
e dois charutos. Depois toca-se o xeré e pede-se o que se deseja.
Se for mulher, existe um egun que a impele à prática da prostituição.
Assinala traição por parte da mulher.
A mulher traiu e chantageou o homem que, agora, deseja matá-la.
Assinala que a mulher tem dois homens que pertencem a um mesmo grupo religioso
ou a uma mesma sociedade.
Assinala uma guerra por causa de um certo homem.
É um signo que assinala chantagem, este é o seu atributo.
Disse Ifá: "Em boca fechada não entra a mosca".
Não se deve comentar o que se vê.
É preciso ter muito cuidado com as palavras.
Tem que fazer ebó para não passar por idiota diante dos outros.
Ensina que as mulheres que não menstruam devem usar uma guia de Osain.
Se for homem, a mulher ficará doente e nunca mais recuperará a saúde.
Indica enfermidades do estômago e das pernas.
Cirurgias no aparelho urinário e no intestino.
Cuidado com doenças venéreas e males vaginais.
Cuide bem dos seios e tenha cuidado com um aborto que representa risco de vida.
A pessoa fez uma inimizade mortal.
O dinheiro chega sempre muito quente.
Aqui nasceram as pegadas sobre a terra e o rastro que se recolhe para fazer o bem
ou o mal.
Quando surge este Odu a pessoa tem que ficar sete dias sem ir ao campo.
A mulher é levada por um egun, à prática do lesbianismo.

Ifá diz:SÚÚRÙ

"Ìwà nikàn ló ṣòro o Caráter é tudo que é necessário.".

Quando Ìwà viu que os problemas eram muitos
Ìwà disse tudo bem
Ela foi para a casa de seu pai
Seu pai era o primeiro filho nascido de Olódùmarè
Seu nome, Sùúrù, o pai de Ìwà
"

Ìwà, o caráter, é o nome em yorubá que os povos da mesma usam para classificar esse valor moral. O caráter (Ìwà) é considerado o mais importante valor que uma pessoa pode ter, Ìwà vale mais que dinheiro e luxuosidades. É no caráter em que as Divindades veem o verdadeiro eu de cada um.
"Sùúrù (Paciência) é o primeiro filho nascido de Olódùmarè, e visto como pai de Ìwà (Caráter)

Sendo assim, Ìwà é a única condição essencial para viver bem no Àiyé, sem interferências sobrenaturais ou resultados dos nossos atos. A paciência (sùúrù) é tida como fator principal para não se provocar a perda do caráter. Precisamos ter paciência durante a vida, não precisamos precipitar o que Ifá e as Divindades já colocaram em nossos caminhos.

Olódùmarè e as Divindades nos apoiam pelo o que somos e não pelo o que temos, ter tudo não exprime que estamos ao lado de
lọìrun e dos Òrìṣà, eles preferem o que é intangível, o caráter (ìwà), a paciência (sùúrù) diante dos fatos da vida, a verdade (òótó), e por ultimo e não menos importante, a humildade (irlẹÌ). É em Ìwà onde nossas ações refletem e ela é a prova de nossos feitos no Àiyé.

"O lobo pode perder os dentes, porém sua natureza jamais."

"Não basta dirigir-se ao rio com a intenção de pescar peixes; é preciso levar também a rede."

"Não há lugar para a sabedoria onde não há paciência"

"Quem poupa os lobos, sacrifica as ovelhas"

Ifa gbe wa oo


ESÚ

ilusão nos causa impressões de que algo visto de perto pareçam simétricas, e quando vistas à distancia terão um novo foco, assim vice e versa. Partindo deste princípio tudo depende do modo como se "olha", assim a justiça, ou a injustiça, o bem e o mau, assim como é importante as pessoas terem em conta que muitas vezes aquilo que lhes faz bem hoje, com o tempo pode não ser, da mesma forma que aquilo que hoje é ruim, amanhã poderá ser muito bom. Para a cultura Yorùbá, Èsù é o justiceiro Divino, aquele que olha tudo, que leva a Olódùnmarè os anseios do homem e o trás de volta em forma de benefício, Àse ou não. Tudo o que existe tem sua polaridade, e Èsù será aquele que nos dará a pista de qual o caminho tomar, ele traduz a linguagem densa de nossa crosta terrestre para chegar no divino, gerando caminhos (Odú), portanto ele é a primeira semente geradora Quando você conversa com a natureza e isto lhe trás benefício é Èsù que traduziu o seu código mental para a energia pura, trazendo de volta em forma de prazer interior. Se o Ikin-Ifá é a mente, para cada iniciado será então plantado um Èsù, pois ele é quem vai transformar os desejos interiores no seu mundo palpável, a mente é a razão, e Èsù o gerador, aquele que faz conceber, nascer, criar e tornar possível os frutos desta razão.le será plantado em uma pedra na qual os sacerdotes invocarão um espírito, e daí por diante você deverá criar uma afinidade de tal forma que tudo o que faça possa com ele dialogar, em todos os momentos, todos os dias e horas, se não fisicamente, mentalmente, criar uma simbiose. Forças são energias vivas que não podem ficar paradas, se você não tem este contato, com o tempo se vão, e aí você perderá novamente este elo de ligação, e só lhe restará uma pedra. Por conclusão, quando o iniciado recebe estes elementos sagrados o seu equilíbrio espiritual será completo, representando a unidade entre aquilo que se pensa e aquilo que se faz. Aquele que vive somente dentro da razão concentra na parte central do seu corpo esta energia, e viverá sempre tenso, dores de cabeça, mau humorado, é um ser nervoso. Quando ao contrário a pessoa se agita muito mais do que faz, serão aqueles que não sabem nem o que fazem, nem para onde ir, e vivem se debatendo de um lado para o outro sem sentido ou objetivos. "O equilíbrio está em pensar, e fazer. O Orí cria objetivos, os pés correrão o mundo, e as mãos farão o que precisa".ajunsun caminha com...

Os Ancestres

ANCESTRALIDADE Na Cultura Yorubá, a vida não se finda com a morte. Àtúnwa, É O Nome Dado Ao Processo Divino De Existência Única A Continuidade Da Vida. Olodumarê , O Supremo Deus Yorubá No Momento Do Nascimento Oferece Aos Homens Um Conjunto De Forças Sagradas Que Possibilita A Vida.São elas: Ara: O Corpo Físico Vindo Da Lama. Ese: Elementos Do Organismo Humano. Okan: Coração Físico E Espiritual - Órgão Que Centraliza O Poder De Vida E Sede Da Inteligência, Do Pensamento E Da Ação. Ojiji: Essência Espiritual. Emi: O Sopro Divino De Vida. Ori: A Individualidade E A Identidade. Odu: O Destino E O Caminho A Ser Percorrido. Ase: Força Movimentadora Da Vida. Orisa: Guardião De Cada Existência Humana. Todos Estes Aspectos Não Morrem...Voltam As Suas Origens, Isto É, Ao Orun, Pois Pertencem A Olorun E Só Ele Pode Liberá-Las. Estas Forças Divinas, Animaram Os Antepassados, Os Ancestrais, As Raízes Mães Do Asé Orisá, Ao Partirem Do AiyE E Voltam Ao AiyE Para Animar Seus Descendentes E Discípulos. A Ancestralidade Confirma A Imortalidade, Pois A Vida Continua No Orun Como Ancestrais. Do Orun A Ancestralidade A Tudo Assiste.No Culto De Orisá, Ancestrais Significa:"Aqueles Que Um Dia Tiveram A Energia De Vida No Aiyê E Que Cuja Energia De Vida É Repassada As Novas Gerações, Garantindo A Continuidade Da Vida E Do Culto Aos Deuses Africanos. "Como Conclusão A Vida Presente Depende Da Vida Passada De Nossos Ancestrais" O CULTO AOS ANCESTRAIS Através do culto aos ancestrais, os Egun ou Egungum é possível reconstruir origens, etnias, memória. Essa memória, enraizada na multiplicidade da herança negro-africana, expande com força total, um ethos que passando a diversidade de suas expressões manifestas. Permite revelar estruturas, valores, normas, denominadores comuns onde a questão da ancestralidade mítica e histórica, marca a existência de uma forte comunalidade. É na memória e no culto aos antepassados que essa comunalidade se afirma (Mestre Didi) Porque o objetivo principal do cultos dos Egun é tornar visível os espíritos dos ancestrais, agindo como uma ponte, um veículo, um elo entre os vivos e seus antepassados. E ao mesmo tempo que mantém a continuidade entre a vida e a morte, o culto mantém estrito controle das relações entre os vivos e mortos, estabelecendo uma distinção bem clara entre os dois mundos: o dos vivos e o dos mortos (os dois níveis da existência) No símbolo "Egungun" está expresso todo o mistério da transformação de um ser deste-mundo num ser-do-além, de sua convocação e de sua presença no Aiyê (o mundo dos vivos). Esse mistério (Awo) constitui o aspecto mais importante do culto.Vida e Morte para os Yorubás Os yorubá, como os demais grupos africanos, crêem na existência ativa dos antepassados. A morte não representa simplesmente um fim da vida humana, mas a vida terrestre se prolonga em direção à vida além-túmulo, exatamente em algum dos nove espaços do Òrun, o domínio dos seres desprovidos do Èmì. Assim, a morte não representa uma extinção, mas mudança de uma vida para outra. Os antepassados ou ancestrais são denominados Òkú Òrun e Àgbagbà, ou ainda pelo título de Ésà, usado para reverenciar os ancestrais nos ritos de Ìpàdé, dos candomblés do Brasil. Um antepassado é alguém de quem uma pessoa descende, seja através do pai ou da mãe, em qualquer período do tempo, e que o ser vivente conserva relações filiais afetuosas. Somente alcançarão a condição de ancestral com merecimento de culto aqueles que atingiram uma idade avançada, com uma vida de boa qualidade e trabalho expressivo para a sociedade, além de terem deixado bons filhos. Para os yorubá, um casamento sem filho é algo mal sucedido. Na verdade, seu sistema de valores tem por base três coisas: Owó (Dinheiro), Omo (Filhos) e Àíkú (Vida longa). A Vida Longa é considerada a mais importante porque proporciona a oportunidade que pode tornar possível as duas outras. São esses e toda a linhagem de gerações passadas que, depois da morte se transformam, para seus familiares. Embora os ancestrais compreendam membros masculinos e femininos das gerações anteriores, os ancestrais masculinos são os mais importantes. Ao seguirem para o Òrun, os ancestrais são libertos de todas as restrições impostas pela terra, dessa forma, adquirem potencialidades que podem ser usadas para beneficiar seus familiares que ainda estão na terra. Por essa razão, é necessário mantê-los num estado de paz e contentamento. Quando dissemos que existe um culto ao ancestral, queremos dizer que o que existe de fato é uma manifestação de relacionamento familiar indestrutível entre o familiar que partiu e seus descendentes que aqui ficaram.De acordo com o Órun ao qual foi destinado, continuará a exercer suas funções familiares, agora de modo mais poderoso sobre seus descendentes que a ele continuam a se referir como Bàbá mi(Meu pai), ou Ìyá mi(Minha mãe). Esta forma salienta o amor e a afeição que caracterizam as relações de ambos. Trazendo ao exemplo: "Eu vou falar com o espírito de meu pai", mas sim, "Eu vou falar com o meu pai", numa comprovação de que eles continuam a ter o título de relacionamento que tinham enquanto chefes de família. O fim da vida na terra envolve a questão a respeito do que se transforma o homem após a vida atual. Toda religião encara isto: Nascimento, Vida e Morte( Ìbí, Ìyé, Àti Ikú), o Pós- Vida (Iyè Lébìn Kú), o Julgamento Divino (Ìdájó ti Olórun) e o possível retorno em outra vida, sucessivamente (Àtúnwa). Ikú - Morte É visto como um agente criado por Olodumaré para remover as pessoas cujo tempo na Terra tenha terminado. A morte é denominada Ikú, e trata -se de um personagem masculino. Sua lógica é para as pessoas mais velhas e que dadas certas condições, devem viver até uma idade avançada. Por isso , quando uma pessoa jovem morre, o fato é considerado tragédia, por outro lado, a morte de uma pessoa idosa é ocasião para se alegrar. Sobre isto, costuma-se dizer: Ikú Kí pani, ayò I'o npa ni - "A morte não mata, são os excessos que matam" "Todas as coisas que fazemos na terra Damos conta, de joelhos no céu" Somente quando se é absolvido por Olodumaré é que se tem a oportunidade de reunir-se com seus ancestrais, podendo-se reencarnar e renascer dentro da mesma família. Se alguém porém é condenado vai para o Òrun Àpáàdi, onde irá sofrer com maus. Quando finalmente for libertado, não terá oportunidade de viver uma vida normal e será condenado a errar, por lugares solitários, comendo alimentos intragáveis